"Lá na mata inambu já piou
Protas bandas céu amarelô
Vem vamos viver novo dia
Dia de muita de alegria
De beleza, de muito prazer
Dia que Deus fez
A Ele eu quero oferecer."
Ontem estive refletindo sobre a realidade do Rio de Janeiro e o contraste com o jingle de natal da rede globo de televisão. "Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem vier, quem quiser." Será que o povo da favela se apropriou dessa musiquinha como aconteceu aqui, onde eu moro? Todas as crianças da minha época sabiam cantar esse "hino" de natal.
É muito doloroso perceber que o povo da favela poderia se alinar da sua dor, da sua realidade e sonhar com o mundo global. Será que é por isso que os morros chegaram a tal ponto de criminalidade? Pela alienação da comunidade, completamente dominada pelos entorpecentes da tv?
Muitos ainda são apaixonados pela Xuxa. Como é que ela pode ser tão alheia a realidade da favela?
Se fizeram alguma coisa, os globais, não fizeram o que devia ser feito. Cobrar do Estado, cobrar e reivindicar, insistir.
Mas foram só eles que deram de ombros pra favela.
O que fez a igreja?
Ah, consolou seus fiéis: "meus filhos isso não vai ficar assim pra sempre, Deus vai ter misericórdia de nós". E nós temos misericórdia? Nós crentões, reformados e protestantes, protestamos? Fomos ao palácio da Guanabara exigir alguma atitude? Será que algum governador, nesses anos todos de terror do tráfico, recebeu algum ultimato da igreja de Cristo?
Reavaliemos nossa luta que não é contra carne, nem sangue, e tomemos a armadura de Deus para nos posicionarmos contra toda injustiça, contra toda mentira, contra nossa própria covardia, contra nossa omissão quando os mais fracos são oprimidos. Abramos nossa boca em favor do faminto e do sem teto, do sem dignidade, dos sem emprego.
Aí então poderemos viver como nos diz a letra da música:
"Dia de muita alegria
De beleza de muito prazer
Dia que Deus fez
A Ele eu quero oferecer"
Com grande amor de Cristo,
Ercília
terça-feira, 30 de novembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
NOSSO CULTO RACIONAL
"...o verdadeiro culto ao Deus vivo é a fonte para uma vida sustentável.
Cristãos cuidam da criação não porque está na moda, nem porque eles querem que seus netos vejam pica-paus no parque, ou observem cervos no campo. Para os cristãos é simplesmente uma questão de resposta adequada a Deus, aquele que identificamos como nosso pai e criador, que tem confiado sua criação aos nossos cuidados. Cuidar da criação é um ato de gratidão e pode ser oferecido intencionalmente como um contínuo e vívido diálogo com o Senhor da vida."
(Peter Harris em Kingfisher's fire**, a nova atualização do livro A Rocha - Uma Comunidade Evangélica Lutando pela Conservação do Meio Ambiente)
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Receita de ano novo
Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Como será o 2008?
Como me advertiu uma querida pessoa através de Carlos Drumond, é uma desculpa dizer que estamos recomeçando porque se passaram outros doze meses e ficamos cansados precisando de um novo folego pra continuar. Chamaram o recomeço de ano novo. E há quem diga: ano novo, vida nova.
Sigo acreditando que estamos fazendo o nosso tempo e tenho nesses dias desejado que as pessoas que fazem desejos de ano novo decidam agir e não só desejar como se houvesse a pedrinha mágica dos desejos.
Eu re-crio o universo a minha volta e chamo todos a criar:
um ambiente de compreensão, afinal quantos de nós reclama o não ser entendido.
Lugares de alegria porque pode até parecer cocaína mas é só tristeza, ou não é?
Aconchegos de ternura e bondade porque os filmes e as favelas já estão transbordantes de crueldade.
Ilhas de misericórdia e que elas sejam cercadas de amor por todos os lados. Não o amor palavra que não é verbo. A ação - amor verbo feito carne, feito vida, feito transforma-ação que abraça o sujo e fétido, que toma pra si a dor do outro não amado.
Eu desejo agir em 2008 e em todo tempo como verbo que provoca ação nos sujeitos.
Ercília
Sigo acreditando que estamos fazendo o nosso tempo e tenho nesses dias desejado que as pessoas que fazem desejos de ano novo decidam agir e não só desejar como se houvesse a pedrinha mágica dos desejos.
Eu re-crio o universo a minha volta e chamo todos a criar:
um ambiente de compreensão, afinal quantos de nós reclama o não ser entendido.
Lugares de alegria porque pode até parecer cocaína mas é só tristeza, ou não é?
Aconchegos de ternura e bondade porque os filmes e as favelas já estão transbordantes de crueldade.
Ilhas de misericórdia e que elas sejam cercadas de amor por todos os lados. Não o amor palavra que não é verbo. A ação - amor verbo feito carne, feito vida, feito transforma-ação que abraça o sujo e fétido, que toma pra si a dor do outro não amado.
Eu desejo agir em 2008 e em todo tempo como verbo que provoca ação nos sujeitos.
Ercília
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