terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cada Novo Dia

"Lá na mata inambu já piou
Protas bandas céu amarelô
Vem vamos viver novo dia
Dia de muita de alegria
De beleza, de muito prazer
Dia que Deus fez 
A Ele eu quero oferecer."




Ontem estive refletindo sobre a realidade do Rio de Janeiro e o contraste com o jingle de natal da rede globo de  televisão. "Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem vier, quem quiser." Será que o povo da favela se apropriou dessa musiquinha como aconteceu aqui, onde eu moro? Todas as crianças da minha época sabiam cantar esse "hino" de natal. 
É muito doloroso perceber que o povo da favela poderia se alinar da sua dor, da sua realidade e sonhar com o mundo global. Será que é por isso que os morros chegaram a tal ponto de criminalidade? Pela alienação da comunidade, completamente dominada pelos entorpecentes da tv?
Muitos ainda são apaixonados pela Xuxa. Como é que ela pode ser tão alheia a realidade da favela?


Se fizeram alguma coisa, os globais, não fizeram o que devia ser feito. Cobrar do Estado, cobrar e reivindicar,  insistir. 


Mas foram só eles que deram de ombros pra favela.


O que fez a igreja?


Ah, consolou seus fiéis: "meus filhos isso não vai ficar assim pra sempre, Deus vai ter misericórdia de nós". E nós temos misericórdia? Nós crentões, reformados e protestantes, protestamos? Fomos ao palácio da Guanabara exigir alguma atitude? Será que algum governador, nesses anos todos de terror do tráfico, recebeu algum ultimato da igreja de Cristo?


Reavaliemos nossa luta que não é contra carne, nem sangue, e tomemos a armadura de Deus para nos posicionarmos contra toda injustiça, contra toda mentira, contra nossa própria covardia, contra nossa omissão quando os mais fracos são oprimidos. Abramos nossa boca em favor do faminto e do sem teto, do sem dignidade, dos sem emprego.


Aí então poderemos viver como nos diz a letra da música:


"Dia de muita alegria
De beleza de muito prazer
Dia que Deus fez
A Ele eu quero oferecer"


Com grande amor de Cristo,


Ercília