sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Receita de ano novo
Carlos Drummond de Andrade


Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?)


Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Como será o 2008?

Como me advertiu uma querida pessoa através de Carlos Drumond, é uma desculpa dizer que estamos recomeçando porque se passaram outros doze meses e ficamos cansados precisando de um novo folego pra continuar. Chamaram o recomeço de ano novo. E há quem diga: ano novo, vida nova.
Sigo acreditando que estamos fazendo o nosso tempo e tenho nesses dias desejado que as pessoas que fazem desejos de ano novo decidam agir e não só desejar como se houvesse a pedrinha mágica dos desejos.
Eu re-crio o universo a minha volta e chamo todos a criar:
um ambiente de compreensão, afinal quantos de nós reclama o não ser entendido.
Lugares de alegria porque pode até parecer cocaína mas é só tristeza, ou não é?
Aconchegos de ternura e bondade porque os filmes e as favelas já estão transbordantes de crueldade.
Ilhas de misericórdia e que elas sejam cercadas de amor por todos os lados. Não o amor palavra que não é verbo. A ação - amor verbo feito carne, feito vida, feito transforma-ação que abraça o sujo e fétido, que toma pra si a dor do outro não amado.

Eu desejo agir em 2008 e em todo tempo como verbo que provoca ação nos sujeitos.

Ercília